A importância da intenção!

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Definir a intenção enquanto mãe foi realmente um grande passo no exercício da minha parentalidade consciente.

Em agosto de 2016 li o livro “Educar com Mindfulness” e a Mia, sabiamente, nos deixa umas páginas em branco para definirmos as nossas intenções enquanto pais. Eu tenho e/ou tinha grande resistência a colocar no papel este tipo de coisas, então passei o exercício à frente. Achei que realmente era interessante e fazia sentido mas, verdade seja dita, não tive a coragem de as definir.

Quando em Maio 2017, frequento o curso de Facilitadora de Parentalidade Consciente, imaginei logo que iria ter que definir as minhas intenções, na verdade nunca mais me tinha saído da cabeça que não as tinha definido no momento que li o livro…E assim foi, custou a sair alguma coisa e no tempo todo que tive para escrever várias intenções só consegui escrever uma frase, mas uma frase que me saiu do fundo do coração e que acaba por abranger e incluir tudo o que eu quero ser enquanto mãe e também como pessoa, se substituir a palavra parentalidade por vida.

O que é certo é que a partir desse dia nunca mais me esqueci da minha intenção e parece que instalei um alarme na minha cabeça que de cada vez que não ajo de acordo com ela, o alarme dispara e avisa “Bárbara, não é essa a tua intenção!!” e mesmo que este alarme não dispare a tempo de conter a minha reação vem sempre a tempo de “corrigir” ou pelo menos lembrar que sou conscientemente imperfeita e isso é perfeito!

Antes de iniciar o caminho da parentalidade consciente nunca me tinha passado pela cabeça definir a minha intenção enquanto mãe, nem tão pouco sabia o que isso era, objetivos para os nossos filhos todos definimos, sabemos bem o que queremos que eles sejam mas será que sabemos quem queremos ser para eles?

Quando falamos em objetivo focamos no resultado que queremos atingir, eu quero que o meu filho seja feliz, seja autónomo, independente, responsável, bom aluno, músico, desportista…. o que acaba por criar mais pressão e talvez alguma frustração por estes objetivos não estarem a ser alcançados conforme foram programados. Cria frustração nos pais porque investiram tanto e fizeram de tudo para que o filho fosse aquilo e nos filhos pode ter um impacto muito negativo na sua auto-estima porque não satisfizeram o desejo dos pais e sentem que não tem valor.

Por outro lado, quando falamos em intenção focamos no processo, respondemos a questões como que tipo de mãe quero ser, de que forma posso contribuir para que o meu filho seja feliz, de que forma posso influenciar o meu filho a adquirir as características que gostava que tivesse, ou seja as intenções dependem de nós, o que queremos ser, como podemos ser, que exemplo queremos dar, o que é muito diferente de nos focarmos apenas no resultado que queremos atingir. Ao termos as intenções definidas elas vão facilitar e guiar o nosso caminho no exercício da parentalidade. Podemos mais facilmente definir as nossas ações porque sabemos o que queremos ser enquanto pais. E quando sairmos do nosso caminho podemos questionar-nos: será que estou a agir de acordo com a minha intenção? O que posso fazer para me alinhar com ela? E não se preocupem está tudo bem se não estivermos sempre alinhados com as nossas intenções! Vão reparar que as vezes que conseguirem agir de acordo com a intenção vai ser tão gratificante que só vão ter mais vontade de continuar.

Uma situação que me acontece frequentemente é levantar a voz ou mesmo gritar! É uma questão que ainda não consigo controlar…automaticamente soa o tal alarme…e percebo logo que me estou a desviar da minha intenção. Não há problema penso, às vezes corre melhor outras vezes pior. O importante nesta situação e redirecionar o meu foco. Se for preciso afasto-me por momentos, respiro fundo e peço desculpa por ter gritado, explico que não era a minha intenção e que dadas as circunstâncias não consegui fazer de outra forma, dependendo da situação e contexto podemos, mãe e filho debater a situação. Internamente levanto muitas questões, o que me levou a ter gritado, porque perdi a calma e reagi daquela forma naquela situação, que necessidades minhas estão por preencher (cansaço, stress, preocupação,…) e depois passo a analisar o comportamento do meu filho, porque teve aquele comportamento que me levou aquela reação, que necessidades dele estarão por preencher(atenção, afeto, sono, fome, brincadeira,…), o que me está a querer dizer com aquele comportamento? O que poderia eu ter feito para evitar ou contornar a situação? Como quero agir da próxima vez numa situação semelhante? E não é que este processo todo, que se faz mentalmente, tem resultados práticos! Às vezes consigo acionar o meu alarme antes da minha reação e são estas situações que me motivam a continuar no exercício de uma parentalidade consciente. As vezes que não consigo…aceito-as imperfeitas tal como são, não esquecendo do exercício mental que posso prevenir/evitar desvios de intenção.

Não adiem como eu, a definição das vossas intenções! Entrem em ação agora mesmo ou na pior das hipóteses definam uma data limite para o fazerem, não é uma tarefa que demore muito tempo.

Podem consultar mais pistas no livro “Educar com Mindfulness”, no entanto deixo já algumas para não terem de desculpas para adiar esta tarefa tão importante e que vão descobrir vai ser um excelente catalisador no exercício de uma parentalidade mais consciente e feliz!

  • Escolham um local sossegado e coloquem uma música que vos inspire ou nenhuma se preferirem o silêncio;
  • Desliguem-se do ego e da lógica da mente, procurem ouvir apenas o vosso coração;
  • Respondam a questões como: que tipo de mãe/pai quero ser? Como gostaria que o meu filho me descrevesse em adulto? Quem quero ser para o meu filho? Que ambiente quero fomentar na minha família?
  • Podem escrever uma, dez ou vinte intenções é o que o vosso coração mandar.
  • Depois de escritas as intenções guardem para consulta frequente ou afixem num local bem visível.
  • Último passo e muito importante, partilhem as intenções! Com os vossos filhos, família, amigos e com outros pais.

Para terminar e dar o exemplo partilho a minha intenção enquanto mãe:

“A minha intenção é responder com Amor aos desafios da parentalidade.”

Procuro ser a mudança que quero ver no mundo tendo como intenção responder com amor aos desafios da parentalidade e da vida.

da Facilitadora,

Bárbara Amorim

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