Mães com (pre)ocupações!

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Queridas mães,

Se és uma mãe* com (pre)ocupação, este texto é para ti. Deixa-me primeiro que te diga que estás a fazer um magnífico caminho na educação dos teus filhos, sei que usas todos os recursos que tens ao teu dispor para lhes abrires todos os caminhos que façam dele um ser humano feliz. Eles (os teus filhos) também sabem o tamanho da tua dedicação, também sabem que te (pre)ocupas com muitas coisas, que estás constantemente atenta, tão atenta que por vezes esqueces-te de respirar! Sim, respirar! Experimenta agora: respirar!

Decidi escrever este artigo, porque tenho acompanhado algumas situações e algumas publicações nas redes sociais de mães com diversas (pre)ocupações. Muitas delas com muito sentido, outras em busca de opiniões de quem já passou pela situação, outras que me levam a sentir que são gritos de ajuda. E está tudo bem.

Algumas destas (pre)ocupações, passam pela idade certa para fazer determinadas coisas, como por exemplo: qual é a idade certa para ir para a creche, a idade certa para entrar na primária, a idade certa para deixar as fraldas, para comer sólidos, para dormir sozinho, a idade certa para o primeiro beijo e para o primeiro namoro. E algumas dessas preocupações transformam-se em desabafos “eu pensava que estava a fazer bem” e em dúvidas “deixo ou não usar o telemóvel para que o meu filho coma, se vista, fique entretido enquanto faço o jantar”.

Noutro dia, num encontro de pais, uma mãe relatava que o seu filho de 2 anos deixou de amamentar e deixou as fraldas por decisão dele. Foi exactamente no tempo certo para ele. Esta mãe conseguiu fazer algo que está ao alcance de todas nós: conseguiu… Confiar.

Então, queridas mães, pergunto-vos:

Confias o suficiente no teu filho? Confias que ele vai saber exactamente qual é o momento “certo” para fazer ou deixar de fazer qualquer uma das situações acima ou outra situação que neste momento te (pre)ocupa?

Um casulo precisa do seu tempo até se tornar uma linda borboleta. E é dessa confiança que estou a falar, da confiança que tudo acontece exactamente no tempo necessário para acontecer. Tal como a borboleta, a natureza está repleta de processos naturais. Tal como na natureza, também o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional do teu filho é feito de forma natural, ninguém diz as suas células cresçam agora, acontece por si só. A natureza é perfeita. Ele, o teu filho, precisa que tu, mãe, sejas o seu porto seguro, de alguém a partir do qual ele possa sair para explorar o mundo e voltar quando precisa de ajuda para lidar com os seus sentimentos, pensamentos e desafios da vida.

Sabes, mãe:

1) Tu, mãe, conheces melhor o teu filho do que a educadora, o pediatra, o médico, a professora. Tu sabes como ele é, como ele reage, do que ele gosta, do que ele não gosta. Se já desempenhas o teu papel de detective diariamente, de certeza que já tens um doutoramento em “Parentalidade Consciente”.

2) Reforça a tua intenção, liga-te ao coração e ao que diz a tua intuição:

Devo ou não colocar já na escola? Vou ajudar o meu filho se o colocar já na escola? Ele pode esperar mais um ano? A escola não é uma maratona, não há quem chega primeiro e não há quem fique em último, o importante é qual é a tua intenção. E o que te diz o teu filho? É importante escutares a opinião dele. A opinião dele tem tanto valor como a tua. Juntos vão encontrar o que é melhor para ele.

3) O que é mais importante para ti, quais são as tuas necessidades, os teus limites?

Há mães que não tem outra escolha se não colocar, desde muito cedo, os bebés na creche e as crianças na escola. E não é por essa decisão que o seu desenvolvimento vai ser afectado negativamente. Até porque o importante é o vínculo, a presença na relação com o teu filho quando estás com ele e até mesmo quando não estás com ele, importa ele saber que pode contar contigo. Há mães que têm a hipótese de ficar até mais tarde em casa com os seus filhos e até essas mães eu pergunto-lhes se as suas necessidades estão a ser respeitadas, se têm tempo para si, se têm tempo para fazer o que mais gostam. Há um equilíbrio perfeito em tudo! Só tu sabes!

4) Como te sentes? Quando decides colocar o teu filho na escola, sentes confortável, ansiosa, (pre)ocupada? E de onde vem essa preocupação?

Faz as pazes com que foi a tua experiência de entrada para a escola ou até com que ouves outras mães a contar. Simplesmente, ao ligares-te ao que estás a sentir, reconheceres o que estás a sentir e falares sobre isso, vai abrir a porta para te ajudar a ultrapassar a (pre)ocupação.

5) Confias com razão ou confias com o coração? Confias mais no que te dizem ou confias mais no que diz a tua intuição?

Sabes querida mãe, tu sabes quais são as necessidades do filho. E não tenhas medo, não tenhas medo de o colocar numa escola e depois considerares melhor e decidires que afinal não é aquela. Não tenhas medo de falar com a educadora, com a professora sobre as tuas pre(ocupações). Não te leves a comparar os teus filhos com os outros meninos, porque cada criança é única! Não o obrigues a comer colher atrás de colher, quando ele diz-te que está cheio. Não o ignores quando ele vem falar contigo sobre o seu primeiro beijo, sobre o seu namoro. Estes momentos são únicos.

Não te leves a tomar decisões que não te vêm do coração! Lembra-te que, em cada momento, tens a oportunidade única de te ligares ao teu coração!

Confia em ti! <3

Um abraço,
Cátia Pereira Dias

* este texto foi escrito para mães, pois tem sido maioritariamente as mães que desabafam sobre as suas preocupações. Porém, este texto também é para os pais, é para a família toda. Partilha.