“Não quero ficar na escola!” – 5 dicas que funcionam

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Como tenho recebido imensas mensagens nestes últimos dias de mães e pais nervosos com o processo de adaptação às creches e à pré-escolar. E decidi escrever algumas palavras sobre o tema. Claro que se poderia escrever um livro inteiro, mas existem algumas coisas fundamentais, que quando asseguradas, permitem que a adaptação seja tranquila para todos.

Cada criança é diferente e é impossível dar uma receita que funcione para todas. Poderia escrever muita coisa sobre o tema, mas hoje deixo-te aqui apenas 5 dicas importantes que resolvem a grande maioria dos problemas experienciados:

  1. Começar aos poucos. No primeiro dia, estar no espaço com um dos pais durante um bocadinho. Só depois deixá-la sozinha e só durante umas horas. Para algumas crianças são necessários apenas 2-3 dias, outras mais. (Se isso não for possível onde deixas os teus filhos, insiste ou reconsiderem a vossa escolha)
  2. Os pais devem conhecer os profissionais com quais deixam as crianças. E a confiança nos profissionais é essencial. Assim existe segurança na entrega. Insegurança nos pais gera insegurança nas crianças.
  3. Uma das coisas mais importantes no processo de adaptação a uma escola nova é o espaço que se oferece às emoções da criança. Quanto mais aceite ela se sentir, quanto mais reconhecimento ela tiver, mais tranquila será a adaptação. Distrair (“olha aqui este brinquedo!”), julgar (“mas tu já és grande, só os bebés é que choram!”), desvalorizar (“mas é só durante um pouco e tens aqui muitos amigos!”), mentir (”a mamã já vem”!) etc., são todas estratégias que podem resultar, mas que não ajudam na gestão emocional e no desenvolvimento da autoestima da criança. Não faz mal deixar uma criança a chorar na escola. A criança não precisa de ter deixado de chorar para estar bem. O deixar de chorar em si muitas vezes é apenas um “estou bem” por fora que deixa os adultos mais satisfeitos. Mas faz mal à criança ser retirada dos braços dos pais sem a vontade de ambos. Procura utilizar frases que reconhecem e oferecem espaço às emoções da criança: ”Eu sei que isto está difícil para ti”, ”Está tudo bem, faz bem chorar quando temos muitas coisas no nosso coração!”, ”São mesmo muitas lágrimas! Será porque as saudades também são muitas?” etc.
  4. Um foco consciente não está no como acabar com o choro da criança, está no como satisfazer as necessidades da criança da melhor forma. Quem já leu o Educar com Mindfulness conhece o LASEr e sabe quais são as principais necessidades do seu filho e terá muitas ideias sobre como agir para satisfazer a segurança, a conexão, a significância…
  5. Não tentes ”vender” a escola ao teu filho. Nem o pressiones para falar sobre o seu dia. Fala sobre o teu, fala das coisas boas e das coisas menos boas. Fala sobre os teus colegas e o teu chefe. Faz um desenho sobre o teu dia e convida o teu filho a fazer o mesmo. Conta-lhe aquilo que gostavas que ele te contasse.

Quero finalizar hoje partilhando uma história de que gosto muito. Uma das minhas amigas passou por um longo processo de adaptação da filha à nova escola. A menina todos os dias chorava e a mãe e os profissionais todos os dias passavam imenso tempo tentando de tudo para ela não chorar. Um dia, a mãe olhou a filha nos olhos e disse “Meu coração, já não sei o que fazer para te ajudar!?” Ao que a filha exclama: “Mas, mamã! Não percebes?! Eu QUERO chorar! Sei que vou ter saudades tuas e isso faz-me querer chorar!” O foco da mãe assim mudou e ela perguntou “então filha, o que podemos fazer para tu te sentires à vontade para chorar?” Conversaram um pouco e envolveram a educadora na conversa. Chegaram a conclusão que a menina queria estar sentada numa cadeirinha num sítio particular da sala. E assim aconteceu. Passados poucos dias, a menina já não chorava de manhã.

O que fazer se já se começou o processo e tudo parece estar a correr mal? Recua e estabelece as tuas intenções e um novo plano!

Mikaela Övén

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One thought on ““Não quero ficar na escola!” – 5 dicas que funcionam

  • 21 Setembro, 2017 at 9:01
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    Emocionada Mia… É tão bom “ouvir-te”… Grata por estas dicas <3

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