TPC para Pais

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( que asseguram um ano escolar de sucesso!)*

  1. Estuda a fundo aquilo em que acreditas [ mesmo!]

Não há receitas em Parentalidade Consciente, mas, como o nome indica, há pessoas a querer ser Pais e Mães melhores, a refletir sobre as suas atitudes e a influência dos seus atos sobre os seus filhos; pessoas, tal como eu, à procura de formas que resultem melhor para toda a família, que preparem as nossas crianças para serem cidadãos do mundo, futuros adultos que ajudem a construir um mundo mais consciente.

Por isso, não há plano que possa avançar sem nos sentarmos primeiro a definir  para nós próprias e com base nos nossos principios,  os nossos valores mais sagrados, as nossas intenções fundamentais, como pais.

Por vezes, só clarificarmos o que queremos mesmo, com a nossa parentalidade, elimina muitas dúvidas e responde a muitas questões que antes nos deixavam confusos, sem saber como atuar ou o que fazer.

Atenção: definir valores e intenções* não passa por formular desejos e expectativas sobre quem os nosssos filhos deverão ser, não passa por antecipar projetos e projetar sonhos nossos sobre o presente ou o futuro das nossas crianças.

  • se ajudar, segue este link e terás um template para download. Podes escrever as respostas e guardar ou imprimir e afixar num local que possas revisitar, regularmente, ao longo do ano.
  1. Aplica-te na prática [ diária ] daquilo em que acreditas

Certifica-te que pões em prática –  nas pequenas coisas, durante as rotinas, no meio da maior birra, nos momentos difíceis ou fáceis, e nas questões “maiores” – aquilo em que acreditas, que acabaste de definir no ponto 1.

Verifica, cada dia, se não há contradições, incongruências entre quem dizes que és, quem pensas que és e o que os teus atos dizem de ti ( por cá há muitas, muitas vezes!) . Isto não significa que somos iguais todos os dias, nem obriga a regras e “leis”, pelo contrário. Isto convida-nos a ter mente, coração & mãos (ação) alinhados, a cada momento.

O que as crianças detetam muito facilmente e ao que reagem  ( às vezes, violentamente ) não é a ausência de rotinas ou as excepções às regras. Aquilo a que, muitas vezes, os nossos filhos reagem, com atitudes “desafiantes” ou “maus” comportamentos, é à falta de congruência, à nossa falta de autenticidade –  temos rotinas que não sabemos explicar, insistimos num “não” sem o conseguirmos fundamentar, somos pais ou mães em “piloto automático”, ditamos regras arbitrárias, apelando à autoridade. Por exemplo, estar constantemente a apelar à empatia deles e depois não ser nada empática com eles; pedir-lhes respeito e não os respeitar, querer que nos contem o seu dia e não contarmos nada do nosso.

Revê e pratica os teus valores e intenções e em cada decisão, comunicação, intervenção exercita-os, (sendo um momento de acordo ou desacordo) até se tornarem o teu novo “piloto automático”.

  1. Não faltes às aulas que os teus filhos têm para ti [ sobretudo as mais difíceis! ]

Acredito mesmo que quando estamos com alguma dificuldade , desafio, situação complicada com os nossos filhos, somos nós que temos algo a aprender, somos nós que ainda não conseguimos perceber toda a questão.

Acredito mesmo que as nossas crianças podem ser os nosso guias de crescimento, sobretudo aquelas que nos desafiam, que nos “tiram do sério”, que nos colocam muitas dificuldades.

Aceita virar o espelho para ti  e questionar: o que é que esta criança me está a querer dizer com este comportamento, atitude? O que é que eu preciso de aprender para lidar com esta situação de outra forma? Que lição sobre mim própria posso tirar daqui, que me ajuda a crescer?

Isto não quer dizer que a situação em causa não tenha de se resolver, muito menos quer dizer que eu tenha de “capitular” perante ela – no entanto, este olhar sobre as coisas muda logo a minha forma de as abordar e mudará, estou certa, o desfecho da situação.

     4. Cumpre rigorosamente o [ teu ] horário 

Cuida de ti. Ponto. Pensa em ti, insere-te na equação, mesmo que seja a cuidar dos outros.

O que precisas de essencial para te sentir bem? O que podes enquadrar nos teus dias, na tua realidade ( não adianta ficar no “quem me dera conseguir…”, “um dia que eu possa…”, “se eu tivesse…”) que te trará mais bem estar, serenidade, alegria, paz? E  fazendo um “jogo de cintura” de flexibilidade e tolerância, finca o pé sobre a tua existência feliz – alguma solução de compromisso vais conseguir e é essencial para que todos estejam bem.

Toma as rédeas do que realmente podes controlar  – assegura as variáveis que realmente podem estar sob o teu controlo, para que as rotinas possam correr melhor, para que as partes “pesadas” se tornem mais leves.

Um exemplo: fazer algum exercio fisico é essencial para me sentir bem, então encontro forma de encaixar as horas semanais possiveis, no tipo de exercicio possivel, abdicando de outras coisas, para assegurar que o faço.

Outro exemplo: preciso de ter tudo pronto antes deles acordarem para que as rotinas da manhã corram pelo melhor, então eu acordo uma hora mais cedo.

  1. Sê o melhor dos Mestres

Apesar de não sermos os seus Professores, podemos aspirar a ser um dos seus Mestres para a vida. Para ser um bom Mestre precisamos de:

 » Ser presente, estar verdadeiramente interessados no seu desenvolvimento e em quem eles são ( ser um mestre é bem diferente de ser um gestor de tarefas)

» Não julgar: só quem não julga consegue influenciar. Saber ouvir, conseguir criar um espaço entre ação-reação, devolvendo-lhes a capacidade de decisão e o poder de exercicitar o espirito crítico. Um bom mestre não dá o peixe e talvez nem ensine a pescar, faz o seu discípulo descobrir qual a melhor forma de se alimentar.

» Ser de confiança: ser alguém a quem eles recorrem, de coração aberto, nos bons e maus momentos, conseguir ser uma catedral de quietude e de paz, no meio dos dias caóticos. Acolher  –  emoções, pensamentos, atitudes, dúvidas e certezas, feitios e defeitos –  como um porto seguro, a que os nossos filhos poderão sempre voltar ( mesmo quando já não estivermos cá).

  1. Aproveita os intervalos!

Para as aulas já lá estão os professores, os tutores, os explicadores, mas claro, não resistimos a dar o nosso contributo* bem intencionado –  a verdade é que nos tornamos os “chatos de serviço”, e, acredito eu, com o efeito precisamente contrário ao pretendido.

Experimenta aliviar a pressão e não esquecer que as nossas crianças  – e mesmo adolescentes – são pessoas ainda pequeninas, precisam muito de brincar, de leveza e de rir. Porque não os acompanhamos com a mesma seriedade nesse lado lúdico e feliz da vida? Porque não exigimos, com o mesmo afinco, que se divirtam muito, que relaxem o necessário, que descansem e tenham tempo para não fazer nada?  Cada vez mais estudos provam a importância do descanso, e do tempo livre para a criatividade, imaginação e pensamento inovador (que, acredito eu, serão as capacidades mais importantes para  um futuro promissor!) e põe em causa a eficácia de horas intermináveis de esforço e trabalho apenas mental ( sim, mesmo em adultos!)

Põe a mesma quantidade de energia nos momentos bem passados a dois, solidariza-te com a dureza da vida escolar e assegura que há momentos de descontração, liberdade, natureza e desafio dos limites suficientes para que, depois, a escola seja um prazer.

*se já te imaginas numa espiral de controlo e exigência sobre a escola, os resultados e os deveres escolares salta já para o ponto seguinte!

  1. Dá-lhes um 20, logo no primeiro dia!

Li este livro maravilhoso, deste senhor inspirador, durante as férias e não posso estar mais de acordo com a visão que ele nos convida a ter sobre a vida e o nosso mundo interior e dos relacionamentos( sejam entre pais e filhos, alunos e professores, lideres e colaboradores).

Sobretudo, este inversor de pensamento que é atribuir um 20 à partida, a todos os seus alunos, é transformador e tem-me feito pensar muito.

Porque é mesmo disto que se trata : de acreditarmos que os nossos filhos têm, hoje em dia, um mundo de possibilidades à sua disposição, e precisam apenas de descobrir qual o seu sentido, o seu propósito, o que os realiza,  perceber à medida que crescem para o que é que têm mais apetência, porque é aí que se poderão tornar “os melhores”.

Precisamos de acreditar que já nasceram com tudo que precisam para se darem bem na vida, desde que confiem em si próprios e nós, no seu potencial.

Precisamos de lhes dar um 20, a cada dia, como forma de lhes dizer que os sabemos capazes, autónomos, que confiamos neles a fazer o seu caminho.

Dar um 20 pode ser permitir-lhes ir sozinhos até à escola , pode ser não interferir nas horas ou tempos de estudo e estar junto deles, sem julgamentos, sejam quais forem os resultados.

Dar um 20 pode ser  abrir as possibilidades todas em vez de ficarmos cegos, agarrados  a um padrão, à referência, a uma meta pré-definida, perdendo muito do que cada um, na sua individualidade, alcança, de várias formas, pelo caminho.

Dar um 20 aos nossos filhos pode fazer-se através de um olhar, de um silêncio onde antes havia comandos e exigências, de lhes mostrarmos uma profunda certeza de que sabemos que vão sair-se bem, e de que os amamos, sem eles nos precisarem de provar que o merecem.

  • e já agora, reflete no que é, na verdade, um ano “de sucesso” para ti. E para o teu filho?

Mariana Bacelar

Se gostaste destes “TPC” , aqui podes ler mais  “5 dicas úteis para o Regresso às Aulas” .

Photo by Stephan Vance