A todos vocês, GURUS, o meu RESPEITO, a minha Gratidão, o meu AMOR

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“SOBRE RESPEITO- Reflexões de uma jovem

Ontem a minha filha de 13 anos chegou à casa um pouco chateada e muito pensativa. Relatou-me um episódio que se tinha passado na escola e perguntou se eu estaria disposta a partilhar uma reflexão dela aqui. Prometi que sim pois acredito que nos adultos deveríamos ouvir muito mais as palavras das crianças (temos tanto a apreender com elas):

“Respeito

‘Não és um adulto!
És uma criança!
Resume-te àquilo que és!’
Ouvi alguém dizer…
Mas afinal o que é que eu sou?
Menos que um adulto?

Estas foram as perguntas que surgiram na minha cabeça quando ouvi um professor dizer isto a um aluno a propósito de uma suposta “falta de respeito” para com o professor. Levou-me a pensar no que é realmente respeito…

Porque é que devo respeitar alguém só por ser mais velho? Porque sou uma criança?

É uma pergunta que me faço e à qual não percebo a resposta que me dão porque não entendo o seu fundamento.

Independentemente, deste comentário ter sido dirigido a mim ou não, sinto-me ofendida e desrespeitada! Quando um adulto diz algo deste género fico mesmo com vontade de não o respeitar, mas faço-o na mesma porque sei que devo respeitar todas as pessoas independentemente da sua idade. Se tu (adulto) achas que eu (criança) te estou a desrespeitar, em vez de fazeres o mesmo, dizendo que sou SÓ uma criança, já que és o adulto, mostra-me como se respeita alguém.

Lembra-te que, tal como se diz que violência gera violência, desrespeito também gera desrespeito e respeito gera respeito.

E assim, fica aqui uma pergunta à qual a minha resposta é muito clara, mas gostaria que muitos adultos refletissem sobre ela:

Será que respeito se deve basear em medo ou profundo respeito pela outra pessoa por ela ser um ser humano como outro qualquer?”

(L. 13 anos)”

Li estas palavras da Liv Ovén Vieira e soube imediatamente que eu era como aquele adulto. Senti-me emocionada primeiro e envergonhada depois… Desmascarada pela autenticidade das palavras de uma adolescente. Alguém que eu não conheço, mas que admiro tanto. Algo nela me lembra a criança que fui… E que perdi dentro de mim.

Com 13 anos eu já tinha fechado o meu coração, já era mais dura com qualquer tentativa de inocência… Já não acreditava em mim… e por isso não acreditava nos outros. Equação simples, esta, vista agora à distância de uma vida.

Já não sentia que eu tinha valor, que eu era importante, que eu era especial… Que merecia Amor e Respeito só por ser eu. Sem ter que fazer nada. Tudo aquilo que trazemos dentro de nós desde o dia em que nascemos e sabemos, simplesmente sabemos e sentimos que somos únicos e fundamentais para o funcionamento do mundo tal como ele é… Sem questionar.

Com 13 anos, eu já havia perdido essa verdade essencial, essa autoestima no fundo… Comecei a ser eu contra o mundo, como se o mundo me devesse algo, em Amor, talvez… e a ferida foi crescendo…

Respeito… o que é?

Para mim, tudo se resume ao AMOR! Amor-próprio. Aceitação. Sempre a Aceitação.

Também eu, do alto do meu pedestal de adulto, exijo respeito, ao meu filho, principalmente. Também eu penso tantas vezes: “Como se atreve ele???? A faltar-me ao respeito? Eu que faço tudo por ele? Que me desunho para que não lhe falte nada??? Que ando desvairada, feito barata tonta, numa corrida que me deixa sem forças e fôlego, para que ele tenha tudo???? E depois faz-me isto????

Ele não merece o meu amor!!!!” – Concluo… cheia de tristeza e raiva…

Que ser humano ferido me apercebo que sou… Que mãe tão pouco amorosa me tornei… Dando e esperando em troca algo, que não sei o que é. Respeito? Amor? Como se os meus filhos me devessem alguma coisa por eu ser a mãe deles? E fazer tudo o que é suposto eu fazer e que vem incluído com esse papel de ser mãe?…

É isto que eu quero ensinar aos meus filhos? Que o meu Amor tem um preço? Que eles não são dignos do meu respeito e do meu Amor pelo simples facto de existirem? Que precisam de fazer algo?… De me obedecer? E não terem voz? De deixarem de ser quem são para me agradarem? Para eu me sentir amada e respeitada? É isto que eu quero?… O quê que eu lhes ensino com esta minha atitude?…

Sim, eu não sabia, ninguém me disse, eu nunca li, era inconsciente… eu não sabia a exigência de ser mãe… Não sabia que ia ser tão, mas tão difícil, que tantas vezes sobrevivo aos dias… Sinto-me meia louca de vez em quando, completamente pateta outros tantos, histérica alguns, stressada a maior parte dos dias, triste, muitas vezes… É esta a mãe que sou… cá dentro.

O Amor. Para mim o Amor são pequenos gestos…. São coisas que faço… mas o Amor não é isso, pois não? Não saberei eu afinal o que é o Amor?…

Amor é estar, é presença, é acolhimento, é aceitação, é mimos, é risos, é brincarmos juntos… fazermos juntos o puzzle do corpo humano para que possas desenhar os órgãos (e descobrir que também eu gosto de fazer puzzles), é irmos jogar à bola (mesmo quando só me apetece aterrar no sofá) e acabarmos por rir muito com os golos e os “penaltys” que te fazem vibrar, é ver-te fazer as posições de yoga que adoras mostrar (e eu sorrio tanto, orgulhosa confesso) e as de capoeira que me queres ensinar (à força), amor é ler a história que tu escolhes, (aquele enorme que eu nunca queria…), é comprar-te a 1ª melancia da época porque tu me dizes que “aaaadooooraaaas” e depois afinal não gostas e “se comeres vais vomitar” …

Amor é aceitar as tuas emoções fortes e violentas e diárias… sem reagir (mesmo que para isso tenha que fugir dali para não disparatar contigo).

Respeitar-me é cuidar de mim também e em primeiro lugar! É altura de me voltar a colocar em primeiro lugar e deitar fora as crenças de que ser mãe tem que vir à frente de tudo. Se continuar a esquecer de me cuidar, daqui a pouco não resta mãe, não resta Cátia, não resta nada…

Respeitar-me é amar-me, é descobrir o que é isso… Aceitar que não sei quem eu sou e recomeçar desse ponto. É parar. É respirar. É chorar muito. Chorar tudo o que tenho cá dentro, e, de alma lavada, continuar. É aceitar que estou cansada e desse lugar, dar o salto. É ter coragem…

O mundo não me deve nada. Muito menos os meus filhos, esses gurus presentes, dádivas da Vida… que tantas vezes questiono se mereço. Se alguém me deve em Amor… sou eu que me devo Amor e Respeito. Amor por mim, pela pessoa que construí, da maneira que soube, a melhor. Sim, eu fiz sempre o melhor que pude, com os recursos que tinha. Mas agora é hora de ir buscar novos recursos.

Respeitar-me é Amar-me. É aceitar-me. E só quando eu me sentir plena comigo mesma. Feliz comigo mesma. Suficiente comigo mesma… poderei aprender a respeitar os meus filhos com igual valor, no mínimo.

Porque cá entre nós, as crianças merecem muito mais. Elas desarmam-nos com a sua verdade. São seres mágicos… com uma luz que nos cega o Ego… Por isso temos tanto medo delas (quem diria…). Porque sabemos, no fundo de nós, que elas são os verdadeiros Gurus desta relação. Só é nossa a responsabilidade. Toda a Magia é deles.

Não somos nós que temos que lhes ensinar nada. Mas temos tudo a aprender… E esta é a verdadeira lição das crianças nas nossas vidas. O paradigma tem que mudar se queremos de facto ser parte da construção de um mundo melhor. O que fizeram connosco não pode ser replicado. Se assim for, corremos o risco de perdermos para sempre o elo que nos liga à infância e a esse lugar encantado de onde todos viemos e do qual os adultos da nossa vida nos arrancaram… E como toda a criança, nós acreditamos que os adultos na nossa vida sabiam mais do que nós, e confiamos neles… e hoje somos adultos mais sofisticados que a geração anterior, muito mais “perigosos” por isso, para as infâncias das crianças que nos rodeiam… Temos que parar! Parar e Respirar.

Temos tanto a aprender com as crianças. Se ao menos nos permitíssemos…

Uma criança não é menos que um adulto. É mais, muito mais: mais pura, mais inocente, mais autêntica, mais verdadeira, mais honesta, mais forte de espírito, mais alegre, mais genuína, mais capaz, mais competente, mais presente…

Chega de tratarmos as crianças como seres menores do que nós. Se alguém aqui é pequenino, são as pessoas que tratam as crianças como pequeninas. Quem desrespeita uma criança, ensina-lhe apenas uma coisa: O desrespeito!

Porque desrespeitamos as crianças?… Medo? Será?…

Medo que elas descubram a verdade. E a verdade é que nós não sabemos nada… Andamos meio perdidos. Mas porque somos adultos, achamos que temos que saber tudo e ser esse modelo para as crianças… Seres perfeitos. Medo no fundo, que se elas souberem que nós não somos detentores da verdade absoluta, não somos merecedoras da sua admiração, do seu amor…

E as crianças percebem o Medo a corações de distância! “Cuidado” com as crianças! Elas são seres Poderosos! Os seus poderes são Mágicos… 😉

Fomos ensinados a respeitar os mais velhos… Nunca nos ensinaram a respeitar da mesma forma os mais novos… E é este o ensinamento que queremos passar? Que só os mais velhos merecem respeito? Mas porquê? Pergunta a Liv e pergunto eu… O respeito é algo que se ganha com a idade? Já pensaram o quão absurda é esta premissa? Não podemos mudar o nosso passado, mas podemos sim aprender com ele dar um sentido diferente à nossa história, mesmo passada. Só curando a criança que fomos poderemos ser adultos mais saudáveis e inteiros. E só assim seremos modelos para os mais novos. Modelos diferentes, criando, de mãos dadas com as crianças, um mundo novo. Numa sinergia de amor e respeito que terá um efeito regenerador para todos.

Respeito é algo que merecemos pelo simples facto de termos nascido. Somos todos cidadãos do Mundo e merecedores de todo o respeito que existe pelo simples facto de sermos… A começar por nós. E não precisamos de ser nada mais para merecermos respeito. Não precisamos de ser, porque já somos. Todos. Isto é Igual Valor. Isto é Respeito.

A esse adulto que desrespeitou a criança eu diria a ele o que eu diria a mim mesma:

Anda Cátia, despe essa roupa e esse ar de adulto e vem ser feliz. Esquece a dor, nada poderia ter sido diferente, porque não foi. Tudo é perfeito como é. Não vês?… Estás Aqui, Agora. És feliz, neste momento Presente. Vamos aceitar o convite das crianças da nossa vida, dos filhos, esses parceiros espirituais, esses professores gigantes que a vida nos deu, porque nós merecemos descobrir de novo, nós merecemos uma segunda oportunidade para sermos felizes.

Anda Cátia, descalça-te e vamos para a rua ver o pôr-do-sol, rir muito alto, brincar de faz de conta, correr muito até o peito rebentar, ver as árvores e abraça-las, cheirar as flores e acaricia-las, rodopiar ao vento num abraço redentor… Anda, vamos ser felizes juntas, tu e eu, temos aqui todo o Amor do mundo, entre este céu e esta terra… entre uma respiração e outra… entre duas batidas dum mesmo coração… Confia.

Respeito? Pela vida… por tudo o que a Vida nos dá diariamente, em abundância… É amor, amor, tanto amor… consegues ouvir a sua canção?… Fecha os olhos e escuta, abre o coração e sente… Nada importa mais… É a Vida, é o Amor… Vem…

E tu? Ainda achas que uma criança é menos que um adulto?… Foi isso que te ensinaram? Consegues olhar, fundo nos olhos de uma criança e dizer-lhe isso, sem que te quebre o coração?

P.S.: Grata Liv pelo despertar das tuas palavras em mim e pela possibilidade de descobrir e reflectir através do teu convite, sobre esse valor fundamental que para mim é o Igual Valor e o Respeito!

Grata aos meus filhos por me amarem incondicionalmente. Muito mais e melhor do que eu os amo a eles.

A todos vocês, GURUS,  o meu RESPEITO, a minha Gratidão, o meu AMOR.

Cátia Violante