O caminho de um pai consciente

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Dois anos depois do meu filho nascer decidi fazer um curso de Programação Neurolinguística pois tinha como intenção aprender mais como o nosso cérebro funciona, tirar partido do poder do inconsciente e alavancar a minha performance desportiva e nos negócios.

Como já na altura a minha mulher já tinha uma enorme bagagem a nível de formação em Hipnose, Coaching e PNL apoiei-me nela para decidir onde tirar a certificação e ela apenas me disse «Se queres fazer em Portugal, então faz com o Pedro Vieira pois ele é o melhor.» e assim fiz.

A certificação de PNL e Coaching foi de facto muito transformadora para mim e ao contrário do que eu estava à espera, em vez de começar logo a usar os recursos adquiridos para programar o meu cérebro com o objetivo de alavancar a minha performance, esta experiência levou-me a concluir que eu e a esmagadora das pessoas somos programados desde o início da infância de uma forma nada interessante e que apesar das boas intenções dos nossos cuidadores, essa programação faz-nos mais mal que bem.

Então o meu foco mudou cento e oitenta graus pois como qualquer homem que se torna pai tudo o que faz tende a pensar no que é que os filhos poderão beneficiar com isso, pelo que para mim a prioridade foi aprender a programar o meu filho. Não para ter boas notas nem para ser o mais bem comportado, nem para aquilo que a sociedade chama de ser-se bem-sucedido. Estava mais interessado em programa-lo para ser livre, saudável e feliz.

Mas será que dá para nos programarmos, ou programar alguém para ser feliz? Eu acredito que sim. Acredito que a felicidade é primeiro uma escolha e depois de escolhermos ser felizes, podemos fazer uso de ferramentas que colocam o nosso foco na felicidade.

Comecei a pesquisar pelo tema e quanto mais pesquisava mais me entusiasmava e quanto mais me entusiasmava mais pesquisava sobre educação e parentalidade positiva. Mais tarde começo a seguir o trabalho da Mia que começa a desenvolver conteúdos de formação em Parentalidade Consciente na mesma empresa onde fiz a PNL e a Certificação em Parentalidade Consciente torna-se para mim numa consequência natural.

A Parentalidade Consciente levou-me a praticar o amor incondicional e isso faz uma diferença gigante na autoestima e vida dos nossos filhos. É natural que os pais sintam amor incondicional pelos filhos, mas o medo e a educação que nós tivemos levam-nos a sentir amor incondicional por eles mas a praticar amor condicional com eles, o que nós faz cair, entre outras, na armadilha das recompensas e dos castigos.

Outra mais-valia que a Parentalidade Consciente me deu foi o definir as minhas intenções de pai. A definição de intenções é tão poderosa que quando tenho alguma dúvida volto às minhas intenções e estas tendem a responder se estou a ir no caminho certo. Claro que o conceito de ‘caminho certo’ e algo bastante relativo e a grande mais-valia de ter as minhas intenções de parentalidade bem definidas é saber que o caminho certo é aquele que me leva às minhas intenções de parentalidade.

Quando não temos as nossas intenções de parentalidade bem definidas é como pegar no carro e começar a viajar sem saber muito bem para onde vamos. Sabemos que temos de parar no sinal encarnado, sabemos que temos de dar prioridade a quem se apresenta pela direita, sabemos que temos de cumprir as regras de trânsito, mas quando nos aparece um cruzamento (que é como quem diz um desafio) se não sabemos muito bem para onde vamos qual tende a ser a direção que nós escolhemos?

É isso mesmo que estás a pensar, tendemos a escolher a saída que a maioria está a ir, pois se a maioria das pessoas estão a ir para ali é porque aquele deve ser um bom caminho. Mas isso não é uma escolha, isso não é liberdade. Isso é a ditadura das massas. Afinal de contas é um bom caminho para quem?

Será que é um bom caminho para ti? Lá está, depende da tua intenção.

Sugiro-te então que definas muito bem as tuas intenções como mãe ou como pai e depois junta-te com quem partilhas a parentalidade do teu filho para definirem os dois as vossas intenções como pais. Existem estratégias e ferramentas muito interessantes de definição de intenções de parentalidade pelo que se quiseres aprofundar mais poderás solicitar o acompanhamento do Facilitador de Parentalidade Consciente com quem te identificares mais.

Uma das minhas intenções de parentalidade é divertir-me a ser pai, outra é ajudar o meu filho a ter uma autoestima muito saudável, pois acredito que a autoestima é um excelente sistema imunológico social e como quero que o meu filho seja livre, no mundo em que vivemos, um bom sistema imunológico social é um dos pilares para atingirmos estágios mais elevados de liberdade.

Para além disso a autoestima ajuda muito na autoconfiança e isso o ajudará a ser melhor naquilo que ele quiser ser e também o ajudará a viver as frustrações daquilo em que não foi brindado com um talento natural, ou quando os desafios que se lhe apresentarem pareçam demasiado difíceis.

Como não gosto que me imponham regras, a Parentalidade Consciente ajuda-me a ser um pai mais congruente, pois se não gosto que me imponham regras não estaria a ser lá muito congruente em impô-las ao meu filho. Ora se eu próprio não me considero um adulto lá muito obediente não será lá muito congruente da minha parte estar a criar uma criança obediente, pelo que eu troco a obediência por colaboração. Uma criança obediente faz o que lhe mandas fazer, uma criança cooperante colabora contigo quando isso faz sentido para si ou simplesmente porque percebe que isso é muito importante para ti.

Quando te focas em criar um filho cooperante tendes a ouvir da maioria das pessoas que tiveste muita sorte com o filho que te calhou por ser fácil de educar. Talvez tenha tido mesmo sorte e acredito que estar pouco preocupado em que ele se porte bem e muito atento em gerar empatia e em estimular que ele desenvolva a sua empatia acredito que ajude no processo. Isto porque uma pessoa empática ao colocar-se nos sapatos dos outros percebe o que estes sentem relativamente ao que ele está a fazer a cada momento e isso ajuda-o a tomar decisões mais acertadas que tendem a gerar aquilo que a sociedade tende a chamar de ‘bom comportamento’.

Este meu caminho da Parentalidade Consciente tem-me tornado num detetive. Um detetive com poucas expectativas e muita curiosidade, sobretudo em perceber as suas necessidades, pois todo o nosso comportamento tende a ser o resultado da nossa procura em satisfazer as nossas necessidades e o meu filho, tal como o teu, não é diferente.

Assim, em vez de estar focado no seu comportamento, opto por estar atento à necessidade que determinado comportamento está a tentar satisfazer. Ao perceber qual a necessidade que está a gerar um comportamento que não quero que continue ou que se repita foco-me em ajudá-lo a satisfazer essa necessidade de uma forma mais saudável e esse ‘mau comportamento’ tende a diluir-se.

Em futuros artigos irei aprofundar cada um dos temas que sucintamente abordei neste artigo para te poder ajudar a praticares uma parentalidade mais consciente.

É no entanto muito importante que tenhas bem claro que este tipo de parentalidade só funciona bem para quem teve a sorte de ter tido um filho muito fixe. Daquele tipo de filhos que são mesmo muuuito fixes e que é impossível não sermos perdidamente apaixonados por eles.

Daquele tipo de filhos assim… tipo… como o teu. 😉

Com amor,

António